Numa mesa plana acordo a vontade... Dou luz aos meus sentimentos e mobilizo-os para ti... Numa estranha e ousada forma de ser e de agir... Comprometo a minha imparcialidade voraz... Enterrando-me e afundando-me... Porém... Nas entranhas mais doces da minha pequena existência...
Olhas o rosto ao espelho... Farta de esperar... Lufada de ar fresco... Teima em atrasar... Porque pintas os lábios? Porque retocas os olhos? Porque sonhas e insistes no mesmo sonho?
Vestes a tua melhor farpela... Sais à rua para partir... Salto alto pontiagudo... O desejo a sorrir...
Porque armas o corpo? Porque andas á toa? Porque esperas e não avanças? Tu...
Estás dois passos a cima... De quem pensas não merecer... Estás dois passos a baixo... Para quem está a ver...
Quem te vem convidar? Quem te leva a dançar? Quem será que consegue saber que tens muito mais para dar...
Chegaste como sempre... Sem ninguém para variar... Deitas o corpo cansado na cama... Nada tens para dar...
Quem te leva a jantar? Quem te beija na boca? Quem te deita na cama e ama?
Viagem ao acaso... Num mundo de gente... Acordar desfeito por ser diferente... Rodopiar... Enganar e mentir... Para poder parecer... Para poder servir... Ter alguma luz... Que caiba a quem queira... Impressione e marque... Quem dela necessitar... Sem eira nem beira... Gritar... Gritar... Abafado e por dentro... Esquecer o momento... Intervir sonhando... Dançar sorrindo... Dizer palavras cantando... Inventar um mundo lindo... No regresso final... Estão os sós e os anónimos... Não há lugar para heterónimos... A história contará... A vida dirá... Quem foste e o que disseste... À dimensão e um pequeno país chamado Portugal...
Se espreito à janela... Que é a casa dela... Sem rima que abrace... Alguém que se cace... De um jeito mais certo... Pôr a descoberto... Ou de entrar em contacto... Rompendo o pacto... Parar por um pouco... Viver como um louco... Findar e olhar... Morder e ser... Entrar... Sair e respirar...
Cidade... Pelo Tejo encantada... Tens pica... Mas não andas nada... Aguardas com o teu ar namoradeiro... A palavra de ordem do mundo inteiro... Que a vida já te deu mágoa que sobre...
Os tempos... Já não te levam à esperança... As gentes olham com desconfiança... Tens sorte de não ir na cantilena... A alma... Nunca será pequena...Abraça esta saudade do meu peito...
Recorda... Um jeito sério de andar... Inventa modos de lutar... Agita consciências desandantes... Pra ser como dantes... Como dantes... Cerra o teu punho e grita liberdade...
Nos velhos... Aquela raiva entalada... Os novos já nem dizem nada... Pobreza disfarçada com dinheiro... Museu vivo... Cidade do Barreiro... Saudade que carrego em primeiro...
Uma branda saudade que me culpa a vontade… Uma intriga por dentro… Sem saber a verdade… O caminho do vento… Que se perde no tempo… Será forte e conciso… O calor de um amigo… Abreviada presença... Que se quer de ilusão… Desconforme rosto que me assola e me comanda…
Palavras que engatam sabem mal... Coisa normal... Dente por dente... Se houver quem queira falar... Deixá-lo estar... Deixá-lo estar... Mais um pouquinho...
Estou triste e enganado… Na hora de sentir… Não tenho força… E a que resta vai partir… Sou um cordão já velho… Sinto o meu tormento… Vivo escravo do tempo… É este o meu momento… De solidão e saudade… Uma prisão… A esvoaçar no vento…
Artes impróprias... Que se abraçam a tudo e a todos aqueles que se querem fazer maiores... Nos buracos da vida... Viela escondida... Começam e acabam... Ao acaso e sem pressa... Sem lamento e sem consideração... Sem santos que valham... No chão que se pisa... As vozes ralham... Em coro com a brisa...
Onde fica o que se escreve... Para quem é o que se diz... Quem será que nos ouve... Será que temos quem nos ouça... E o que queremos alguém sabe e me diz...
Uma rosa endiabrada brada hoje e amanhã… Sem destino e sem mais nada chora triste a sua irmã…
Com vontade, mas sem meio… Para chegar ao fim da coisa… Reza a história desnorteada… Que deixou descoberto um seio…
Era riso ou poesia… verso em prosa bem do fundo… Talvez a puta da magia… Tome conta deste mundo…
1-11-07
Coração distante que acalenta um olhar afastado... Ausência pertinente que evoca altruísmo... Num afago descontraído que parece querer saber de nós... Por tão pouco que seja... Tão bem que sabe... Em acções de entremeados contactos... Onde vagabundos de vícios absorvem e acolhem saber... Vivendo e sobrevivendo à custa de perguntas e dúvidas... Daquelas que todos têm... Aguentando fitas... Resistindo a rumores... Abraça o dia a dia com força e com paixão...
Resististe à vontade de terceiros... Desobedeceste à normal conduta de pensar e de agir... Desrespeitaste... Ousaste ser maior... Numa aventura que te desconsiderou... Contingências do acaso... Alguém que amou e que sofreu... Contas que terias que amortizar... Juro que ainda hoje pagas... Regresso que ainda tarda em ser... Jamais o será...
Palavras mudas que nascem de um corpo estranho para outro... Orientações que perduram... Desabafos que saem... Mostras de insucesso que brotam num planeta que parece ter dono... Preocupações que me tiram o sono... Esperanças e sonhos que abomino... Não fosse este o meu mundo... Não fosse este o meu caminho...
Navegante dos mares profundos… Entendido na arte do amor… Caminhante… Descobridor de mundos… Versado nos achamentos que de outro tempo esqueceram o fulgor…
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